O que é doce nunca amargou… Ou o sétimo mês na Eslovénia

E estamos de volta!

Antes de mais, desejo-vos um próspero ano de 2016! Enfim, aquilo que desejo a mim própria e a vocês: que vos presenteie com muita saúde, felicidade e coragem para (chegarem mais perto de) realizar os vossos sonhos; que vos proporcione tudo aquilo de que necessitam, ou, melhor ainda, aquilo que desejam!

A aventura de Serviço Voluntário Europeu terminou no passado dia 15 de Novembro de 2015 – quase que se passaram dois meses, mas esse tempo também foi necessário para digerir as vivências de um ano intenso, e reflectir sobre os passos a dar neste novo ano. Daí a ausência de notas neste blogue, que esteve quase para ser cancelado.

A verdade é que me encontro de regresso à Eslovénia, este país maravilhoso em que me sinto (também) em casa. Apesar de as aventuras agora serem a um nível diferente, não deixam de ter a sua relevância e, para dar de beber à minha sede de escrever, vão continuar a haver novas publicações No blogue de Notas!

Como balanço global da experiência de SVE e em jeito de resumo do sétimo e último mês na Eslovénia enquanto voluntária, escrevi uma carta à AgoraAveiro, associação que me enviou para o programa e que me acompanhou à distância durante todo o processo. Penso que não vale a pena repetir as ideias aqui, por isso, qualquer questão que gostassem que desenvolvesse ou esclarecesse escrevam nos comentários! É sempre um gosto poder partilhar – dar e receber – sobre experiências de voluntariado nacional e internacional!

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Diário fotográfico – semana 23

Uma fotografia por dia, não sabe o bem que lhe fazia: 14 a 20 de Setembro.

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14.09.2015 – Midterm evaluation do nosso projecto SVE em Ankaran.

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15.09.2015 – Fomos shadows in the night.

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16.09.2015 – Noite de bowling (não é por acaso que o meu irmão diz que nunca mais joga na mesma equipa que eu).

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17.09.2015 – Adeus, Ankaran! Olá, Kostanjevica!

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18.09.2015 – Mais azulejos da tia(-avó).

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19.09.2015 – Foi dia de panquecas e marmelada em Kostanjevica na Krki, com direito a concerto dos jovens alunos da Escola de Música de Krško, na Igreja de St. Jakob (que veio para nos iluminar a todos/as).

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20.09.2015 – Acho que ele estava a pressentir o perigo.

Café turco

Qual não foi o meu espanto quando, no pre-departure training organizado pela Agora Aveiro antes da minha vinda para a Eslovénia em Serviço Voluntário Europeu, a T. (Letónia) me disse que na zona Este da Europa, as pessoas não estão muito habituadas a beber café expresso, preferindo, em vez disso, o ritual oferecido pelo café turco.

Mas, afinal, o que é o café turco e porque é que se diz ser um ritual? A preparação deste tipo de café – tão específica que lhe chamam “cozinhar o café” -, nasceu na Turquia e foi disseminada pela influência do império Otomano em diversos países, permanecendo a tradição ainda nos dias de hoje. O ritual consiste, portanto, na cozedura lenta e delicada do café, em que quem o prepara deposita a sua dedicação e tempo. É, assim sendo, algo completamente oposto ao café expresso que a parte ocidental da Europa prepara em um minuto e aspira em três segundos.

Neste caso, o café é moído de forma a deixar os grãos numa textura muito fina semelhante à farinha. Para se cozinhar o café turco, é necessário uma colher e um “cezve” ou “džezva“, cujo material é, normalmente, cobre. Usualmente é servido em chávenas pequenas, encantadora e detalhadamente ornamentadas. Este café tem um segredo: Não deve ser bebido até ao fim – mais uma vez contrariamente ao café expresso, o café turco deve ser bebido com calma e paciência. Bebido de uma só vez pode dar à pessoa a horrível sensação de ter borras na boca.

Hoje tive oportunidade de preparar café turco pela primeira vez – o J. (Eslovénia), que prepara dos melhores cafés turcos que provei, ajudou. Então, vamos lá a saber a receita:

  1. Adicionar no cezve a medida de uma chávena de água por cada chávena a servir.
  2. Adicionar à água uma colher de chá cheia/colher de sobremesa de café por cada chávena a servir.
  3. Adicionar à mistura anterior uma colher de chá de açúcar por chávena a servir.
  4. Colocar o cezve em lume brando, deixando aquecer lentamente.
  5. Com uma colher, mexer delicadamente a mistura até que o açúcar se dissolva.
  6. Quando começar a formar-se espuma, deve retirar-se o café do lume, depositando com a ajuda de uma colher um pouco da espuma em cada chávena. Posteriormente, o cezve deve voltar ao lume brando.
  7. Sem deixar que o café entre em ebulição, aguarda-se até que suba novamente. Assim que subir, apaga-se o lume e o café está pronto a servir.
  8. O café não deve ser despejado de uma vez em cada chávena até que fique cheia. Assim sendo, e por modo a respeitar as diversas camadas do café turco, este deve ser cautelosamente e gradualmente distribuído por cada chávena (por exemplo, numa primeira volta distribuir o café até meio de cada chávena e, suavemente, numa segunda volta distribuir o restante do líquido).

Deve ter-se o cuidado de não agitar o café depois de servido, por forma a não perturbar o sedimento que fica no fundo da chávena, caso contrário as várias texturas vão misturar-se tornando o café numa mistela sem sabor e com borras. Por isso mesmo, o café turco é servido sem colher, não sendo possível adicionar mais açúcar ou mel, ou o que quer que seja, no fim de pronto. O objectivo final é que cada chávena de café turco contenha um líquido de tonalidade acastanhada, espumoso e aromático.

Para ser franca, eu não gostava de café, mas o café turco assenta-me que nem uma luva – a delicadeza da sua preparação e o seu sabor e cheiro já fazem parte da minha rotina diária. Como disse, aqui na Eslovénia, o café é normalmente acompanhado com um copo de água. E, para os mais susceptíveis, com este café é ainda possível que nos leiam a sina.

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Imagino que esteja a parecer muito complicado, mas na verdade não é! Contudo, como em tudo na vida, requer prática e dedicação. Acima está o exemplo de um belíssimo e delicioso café turco preparado pelos nossos participantes da Turquia no Youth Exchange que teve lugar no mês passado, em Kostanjevica na Krki.11874024_930661560310948_684474705_n

É preciso ter em atenção o tipo de café que se compra para cozinhar o café turco. Na Eslovénia, uma das marcas mais comuns é o BARCAFFÉ, originalmente produzida neste país ainda no tempo em que pertencia à Jugoslávia (lê-se “Iuguslávia“). No entanto, sortuda como sou, tive direito a um pacote de café turco directamente vindo da Turquia que me foi oferecido pela J. (Portugal), e que é divinal!

Se passarem pelos Balcãs, aconselho vivamente a experimentarem este ritual tão merecidamente apreciado!

Hora de fazer um balanço… Ou o quarto mês na Eslovénia

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Já dizia Einstein que o tempo é relativo. Há quatro meses andava num frenesim que quase me deixou doente só de pensar que ia passar sete meses num país estrangeiro, longe da família e dos amigos. Na altura estava com receio das mudanças que esta aventura me poderia trazer – uma coisa é certa, é impossível voltar atrás neste momento e nem sequer é sensato achar que, no final do projecto, a vida vai voltar ao que era dantes. Impressionante é como um simples e-mail pode provocar tamanha transformação. Ainda bem que assim foi.

Ontem recebi a segunda carta que escrevi para mim mesma e que marca o meio do projecto de Serviço Voluntário Europeu (SVE) em que estou a participar, aquando do pre-departure training que a Agora Aveiro organizou no princípio do mês de Abril. Estes quatro meses têm sido uma lição a vários níveis, sobretudo pessoal, familiar e profissional. Muito de mim, e daquilo que eu conhecia sobre mim, tem sido colocado em causa, um desafio que me ajuda a reflectir sobre o que quero fazer e como realizar esses sonhos. A gestão de expectativas, de diferentes culturas, de línguas estranhas e das saudades é uma experiência que o SVE proporciona e que recomendo a todos os jovens. O tema do projecto em que estou inserida – Food for SOULidarity, organizado pela Terra Vera, relacionado com a promoção da produção e comercialização local de alimentos – tem-me permitido reencontrar-me comigo própria, com as minhas origens (ainda que tão longe de casa), e com os objectivos que traço para o meu futuro. Tem, ainda, contribuído para me tornar mais resiliente e, em vez de desistir, dar espaço para “respirar” e procurar soluções ou alternativas. Não me sinto uma pessoa diferente, nem renovada. Continuo a ser, simplesmente, a Inês. O foco está em (aprender a) desfrutar desta existência única e tirar partido dela – afinal de contas, acredito que cada pessoa tem o seu papel a desempenhar no mundo.

Mesmo nos dias mais cinzentos e das experiências menos gratificantes, é possível retirar uma lição e aprender algo novo ou aperfeiçoar qualquer coisa que já existe. Claro que não é preciso fazer SVE para crescer, mas ajuda a intensificar a experiência quando o fazemos fora daquilo que nos é familiar. Por isso mesmo, agradeço à Agora Aveiro e à Terra Vera pela oportunidade maravilhosa que me ofereceram, e espero que os próximos meses continuem a desenrolar-se repletos de descobertas e aprendizagens no mágico país dos contos de fadas.

Forrest Gumping along Slovenian coast, ou… Ir à praia sim, caminhar é que não!

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Inspirados na personagem Forrest Gump, do filme homónimo, um grupo de voluntários SVE na Eslovénia decidiu, por nenhuma razão em particular, percorrer a costa eslovena, ao mesmo tempo que aproveitava os fantásticos raios de sol de Julho para saborear as águas salgadas do Adriático. O plano seria fazer o percurso Portorož-Piran-Izola-Koper-Ankaran a pé, em dois dias, tal como mostra  na imagem abaixo, directamente retirada do evento no facebook:

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Assim que tivemos conhecimento do Forrest Gumping along Slovenian coast, a F. (Sardenha/Itália), o F. (França), a J. (França), a T. (Córsega/França) e eu, prontamente tomámos a decisão de avançar com a inscrição (gratuita) e avançar com a aventura. Como éramos cinco, e porque o transporte público na Eslovénia é péssimo (desculpem-me a franqueza), decidimos alugar um carro. Tínhamos de estar às 10h30 em Portorož para o início do evento, até porque a T. ia utilizar este tema para filmar e produzir o seu trabalho mensal no projecto de SVE em que está inserida. Parecia fácil, não? Até com um carro alugado! Mas não. Não foi fácil chegar a horas. Quando já estávamos quase a chegar à autoestrada, telefonou-nos o Sr. do rent a car a dizer que nos tínhamos esquecido de pagar o abastecimento de combustível – lá voltámos para trás e perdemos, com isto, quase uma hora de viagem. Depois, e porque este evento decorreu no fim-de-semana de 11 e 12 de Julho, havia imenso trânsito na autoestrada (Já disse que as autoestradas eslovenas são bem mais baratas do que as portuguesas? A verdade  é que, apesar de o país ser muito pequeno, sem autoestrada levaria dias, por entre montes e vales, a percorrer de carro a Eslovénia de um lado ao outro), já que o tempo estava mesmo a pedir para ir mergulhar em águas salgadas.

Conclusão: Em vez de chegarmos a Portorož às 10h30, chegámos a Piran às 12h30! Acabámos por decidir não conhecer Portorož e ir directamente para Piran. Mas estacionar o carro foi outra complicação, já que não se pode entrar gratuitamente no centro da cidade. Por coincidência, ou não, a F. encontrou um Sr. esloveno, que falava um italiano que até eu compreendia, e que nos deixou estacionar num parque em casa dele.

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Mas à vontade, não é à vontadinha, e em troca de podermos deixar o nosso carro alugado em segurança no parque privado do Sr. Milan Uroševič, demos-lhe o nosso tempo e atenção porque, como ele dizia, “a sorte é estarmos no momento certo, no lugar certo, com as pessoas certas” – pois o que ele nos queria “oferecer” era o “acesso” a um motor de busca alternativo ao Google, o ByXpress, que, na verdade, recorre às bases de dados do próprio Google, do Bing e do Yahoo. Além disso, este Sr. – muito simpático, que nos ofereceu café e biscoitos no seu casarão com vista para o mar, enquanto nos colocava a par de todo o seu percurso profissional -, está também a criar uma moeda virtual, alternativa ao bit coin. Enfim, cheio de ideias e vontade, curiosamente, enquanto cuida de um gato deformado e de um cão coxo. (A nossa camerawoman de serviço já não assistiu a esta mirabulante aventura, dado que, mal chegámos a Piran, ela saiu do carro e foi juntar-se ao grupo).

Já depois das 13h30, seguimos – finalmente! – em direcção ao mar. Mar. Acho que essa é mesmo a melhor palavra para descrever esta cidade. Linda, rodeada de azul a perder de vista, águas cristalinas e (impressionantemente) quentes! (Eu já estive no Algarve, e quem diz que as águas de lá são quentes, nunca esteve em Piran, por certo).

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Algo com que me deparei ao longo da costa eslovena, e que também tinha acontecido quando fui à Croácia, é que aqui não existem praias como aquelas a que estou habituada em Portugal. Aqui as “praias” são improvisadas entre o passeio e a estrada por onde as pessoas caminham e os veículos se movem, sem areal, apenas com rochas. Apercebi-me de que o facto de a água ter no seu solo rochas em vez de areia ajuda-a a permanecer mais límpida e transparente, sendo possível ver o seu fundo.

Não sei se já perceberam, mas adorei Piran – “Era capaz de viver aqui”, estava eu sempre a repetir (apesar de não se poder usar nenhuma casa-de-banho sem pagar!). Os meus colegas de viagem também ficaram encantados com a cidade e, por isso mesmo, depois de nos banharmos nas suas águas aquecidas, de entrarmos (sem nos dar conta) numa praia de nudismo, de comermos um (gigante) hambúrguer, e de explorarmos a natureza presente por entre as ruelas de pedra, decidimos ficar em Piran para ver o pôr-do-sol.
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A noite de sábado foi passada em Koper, com a L. (Itália), que também é voluntária de SVE e que conhecemos no on-arrival trainning, em Bled. Animado ao som de música croata, jantámos deliciosas lulas fritas e grelhadas no Festival de Calamari e provei um bolo-gelado (em inglês soa melhor, ice-cream cake) com sabor a cheesecake. A manhã de domingo também foi passada nas águas de Koper e, depois de almoçar um hambúrguer de peixe e um gelado de pistácio e chocolate, fomos a pé para Izola – e isto foi o mais parecido que fizemos com o Forrest Gumping along Slovenian coast, pois caso ainda não tenham percebido, não nos juntámos ao grupo e acabámos por criar o nosso próprio roteiro.

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A experiência em Izola foi a menos gratificante, mas a verdade é que também não tivemos oportunidade de conhecer o centro da cidade. Encontrámos água bem suja, coisa que não é nada típica, em geral, neste país. No entanto, foi aqui que, pela primeira vez, joguei scopa com um baralho de cartas de Tarot de Marseilles.

O regresso a casa deu-se tardíssimo, pois apesar de não termos encontrado tanto trânsito na autoestrada, tivemos de ir a Ankaran recuperar os óculos da T., que se esqueceu deles no final do percurso do Forrest Gumping. Se tivesse de fazer um balanço seria, apesar de não termos cumprido com o plano inicial, sem qualquer dúvida positivo. O contacto com as águas do mar foi refrescante e rejuvenescedor, e com as baterias recarregadas, segue-se a todo o vapor para o Youth Exchange da próxima semana.

Aqui fica a Mladinska oddaja de Julho, onde é possível assistir, desde o minuto 11’47” ao 13’50”, a breve reportagem que a T. realizou sobre o evento.

Diário fotográfico – semana 11

Uma fotografia por dia, não sabe o bem que lhe fazia: 22 a 28 de Junho.

segunda

22.06.2015 – De regresso a Kostanjevica na Krki depois do intenso Clown Festival, tenho a mais curiosa das recepções: Uma carta que escrevi a mim mesma para os primeiros 2 meses de SVE, aquando do pre-departure training, pela Agora Aveiro.

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23.06.2015 – A melhor coisa de a F. ter regressado de férias? Os doces que trouxe da ilha de Sardenha!

quarta

24.06.2015 – Dia de conhecer produtores de chocolate e vinho de chocolate (ambos deliciosos), em Brestanica (lê-se “Brécetanitsa“) – um casal composto por uma portuguesa e um esloveno. Visitámos a exposição do pintor Rajko Čuber dentro do Castelo de Brestanica. À noite, assistimos ao concerto do grupo musical Mascara, quatro eslovenos que cantam fado português e tango espanhol.

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25.06.2015 – Feriado nacional na Eslovénia e visita a Ljubljana para uma reunião especial e, quem sabe, talvez mais um desafio pela frente. Pormenor de Metelkova.

sexta

26.06.2015 – Durante um breve passeio por Kostanjevica, encontrei uma pequena cobra e – olha – assustei-me e voltei para trás.

sabado

27.06.2015 – O fim-de-semana foi passado em Ivanji Grad, no Festival de Lavanda.

domingo

28.06.2015 – E depois de muitas bandas musicais, do cheiro calmante da lavanda, de umas quantas bolhas e ferradelas na mão por tentar fazer um buquet para levar para casa, com um grande “obrigada” nos despedimos de Ivanji Grade e do Festival sivke.

Diário fotográfico – semana 8

Uma fotografia por dia, não sabe o bem que lhe fazia: 01 a 07 de Junho.

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01.06.2015 – Dia de folga!

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02.06.2015 – Segunda sessão de “Conversas em Português”, na Biblioteca de Kostanjevica na Krki.

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03.06.2015 – Reunião com o A. acerca da aplicação dos princípios da permacultura em terrenos de pequenas dimensões. Mais uma aula de esloveno (Acho que nunca vou aprender esta língua!). Passeio nocturno, com direito a recepção calorosa em casa da J..

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04.06.2015 – Reunião em Novo Mesto, com pausa para café no Stari Most. Ao entrarmos numa loja de artigos em segunda mão fizemos um amigo improvável. A sobrinha da F. nasceu, e a sessão de cultura e língua italiana/sardenha serviu para comemorar e jogar Bingo!

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05.06.2015 – Estivemos no campo de produção de espargos (Aprendi que eles crescem super rápido!), ajudámos na colheita e ainda recebemos um balde deles de oferta!

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06.06.2015 – Maratona Literária em Krško – ao que parece, Fernando Pessoa é um poeta muito conhecido na Eslovénia. Por isso mesmo, e porque alguma da sua obra está traduzida para esloveno, escolhi ler “Magnificat“, de Álvaro de Campos, “Autopsicografia“, de Fernando Pessoa, e cantei “Perdidamente“, inspirado no poema “Ser poeta”, de Florbela Espanca.

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07.06.2015 – Reunião ao ar livre de preparação das voluntárias para o Youth Exchange que se realizará em Aveiro (Portugal), de 26 de Junho a 05 de Julho de 2015, organizado pela Agora Aveiro. Lazer o resto do domingo.

A aventura começa #4 … Ou… Vou para Marte, pelo caminho sou engolida por um buraco negro, e nunca mais volto!

Depois do confronto com a realidade, de muitos apertos no estômago e de ver as pessoas despedirem-se de mim como se eu fosse para Marte, pelo caminho fosse engolida por um buraco negro e nunca mais as voltasse a ver, lá consegui encontrar ânimo e entusiasmo para apreciar esta oportunidade. Caramba, eu vou para um país lindo, viver uma experiência única, com condições excepcionais!

Mas a preparação para a partida não tem sido fácil. Os receios do desconhecido que se vai encontrar, uma nova língua, uma cultura diferente, nova rotina, anda de mãos dadas com tudo o que vai ficar em Portugal – as pessoas, os eventos, os momentos. Tudo muda. Desde almoços nas cantinas, passeios à beira rio e à beira mar, impressão de fotografias, vídeos cheios de sons e cores, telefonemas de última hora e e-mails gigantes, tudo serve de recordação e de forma para encurtar a distância dos próximos meses.

A organização com quem irei manter contacto em Portugal, a Agora Aveiro, veio (felizmente) trazer-me bastante segurança em relação a todo o processo. As suas actuais voluntárias SVE prepararam para mim o melhor pre-departure training que poderia pedir – sim, foi um verdadeiro privilégio. Entre os conhecimentos, experiências e conselhos trocados ficou a certeza de que esta não é uma caminhada em que estou sozinha, mesmo que fisicamente assim possa parecer às vezes.

O próximo passo será mesmo voar.