Um passeio à beira-rio

O dia amanheceu frio e cinzento. Sem esforço, conseguíamos apreciar o vapor que saia com a nossa expiração enquanto conversávamos.

Sobrou-nos tempo depois dos afazeres completados e, por isso, decidimos ir dar um passeio à beira-rio até encontrarmos um sítio agradável para sentar e beber um café ou um chá quente. Procurávamos um pedaço de terra abençoado pelos escassos raios de sol daquela manhã, como o lagarto que aquece o sangue para continuar a sua jornada.

Todavia, a cidade teimava em sentir-se melancólica, tornando o nosso passeio numa longa caminhada a passo com o rio. Caminhávamos de mãos dadas, eu no meu passo acelerado de quem vai chegar tarde, ele num passo lento como quem pára para sentir todos os odores. De soslaio, espreitei-o pelo canto do olho.

Que visão encantadora! Do meu lado esquerdo estava um ser mais resplandecente do que uma qualquer estrela, a força da natureza que trouxe o sol de volta à cidade recuperando-lhe as cores e o calor. Vi um homem de peito aberto para o céu, cabeça erguida com um sorriso seguro da sua sorte e olhos brilhantes fixos na certeza de saber qual é o seu caminho. Em frente, certamente.

Naqueles breves segundos, estou certa de que nada mais existiu senão as nossas mãos dadas a passear à beira-rio. Como se me lesse os pensamentos, afirmou “Nunca tive um passeio tão agradável nesta cidade como este”.

Desacelerei, apertei a sua mão e sorri acompanhando-o, não apenas no passeio, mas também na emoção.

Anúncios

Escrever uma nota

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s