Fazer Serviço Voluntário Europeu ou não?… Ou o quinto mês na Eslovénia

Não. Não me esqueci de escrever no blogue. Não perdi a password. Não deixei de escrever no blogue. Acontece apenas que a minha escrita estava focada num outro objectivo: O de escrever uma candidatura ao Programa Erasmus+ para um projecto de Youth Exchange (Uuuuuh, isto parece uma coisa importante. E na realidade é, mas para ser falado num momento mais apropriado). Já não passava tantas horas sentada a escrever ao computador desde que terminei a dissertação de mestrado em 2013! Na verdade foi quase como escrever uma nova dissertação. No final, foram 39 páginas de formulário e escritas em inglês! Desculpem-me a falta de modestia, mas estou bastante (surpreendida! e) satisfeita comigo e com o meu trabalho 🙂

E sim, esta reflexão sobre o quinto mês na Eslovénia já vem um bocadinho tarde, mas mais vale tarde do que nunca. Que posso acrescentar de novo?

Quando estava a fazer estágio (tanto o curricular, como o de acesso à Ordem dos Psicólogos) o nosso Orientador, P.M., insistia muito numa coisa: «Importa-me mais o processo, do que o resultado». Ainda que consiga perceber o que ele nos queria dizer, nem sempre é fácil colocar na prática esta directiva. Os resultados costumam ser a parte mais visível, aquela que podemos mostrar aos outros e dizer se fomos ou não bem sucedidos/as. Todavia, a verdade é que esta frase ficou guardada na gaveta das “Aprendizagens para a vida”, e quando sinto o peso das preocupações com o dito resultado, páro, respiro, e volto a colocar a minha atenção no processo.


processo
pro.ces.so

[pruˈsɛsu]

nome masculino

1. modo de fazer uma coisa; norma; método; sistema
2. ato de proceder ou andar
3. processamento
4. seguimento; decurso

processo in Dicionário da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2015-10-06 16:41:08]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/processo


Desde que me instalei na Eslovénia que tenho recebido muitas mensagens de amigos/as e outros/as curiosos/as acerca da aventura de fazer Serviço Voluntário Europeu. Será que vale a pena? Dar prioridade à escolha do país ou do projecto? E o dinheiro de bolso, chega? Como é falar inglês ou ter de aprender uma língua diferente? Há choque cultural? E as saudades de casa e da comidinha da mãe?

Já sabem a minha resposta a todas estas perguntas: Vale a pena, sim. Porém, não fiquem à espera de milagres. Mesmo que aterrem num dos países de paisagens dos contos de fadas, não se esqueçam que no enredo não estão só príncipes em cavalos brancos a cavalgar até ao castelo e a subir à torre mais alta. Os ursos e as bruxas também fazem parte da história. Quero com isto dizer que a experiência é composta por aspectos maravilhosos – o acesso protegido a um conjunto de aprendizagens formais, informais e não-formais, os desafios a que nos sujeitamos e que somos capazes de superar, as viagens que fazemos e o contacto com a natureza e uma cultura diferentes das que estamos acostumados, os/as amigos/as que fazemos e a promessa de manter contacto para o resto da vida… Tudo isto e muito mais pode ser considerado o nosso heróico príncipe cavalgante -, que são complementados com outros aspectos menos brilhantes, mas também eles essenciais – quando as coisas correm menos bem, quando as saudades da comida apertam, quando não há nada para fazer ou há trabalho demais, quando os resultados não foram os que ambicionávamos, quando os/as amigos/as que fizemos aqui se vão embora e nos sentimos sem rede outra vez… Qualquer um destes exemplos pode ser um urso que nos quer atacar ou uma bruxa que teima em lançar o seu feitiço.

Está um texto muito infantil? É para que percebam numa linguagem simples que a vida é mesmo assim: Nem tudo é bom, nem tudo é mau, mas a combinação dos dois elementos traz algo de fantástico que nos ajuda a evoluir e a abandonar os contos de fadas: O processo! Se vale a pena? Como diria Fernando Pessoa, «tudo vale a pena/ Quando a alma não é pequena». Se sentem a vontade sincera de embarcarem nesta aventura, pois recomendo que o façam – devidamente equipados para o que der e vier. Se apenas sentem uma vontade assim-assim, bom, deixem-se surpreender – pode ser que encontrem coisas boas, ou, se não, podem sempre cancelar o programa e regressar à base. Ninguém vos vai julgar por isso. O que diria ser o mais importante, na minha opinião, é isso mesmo: o processo, as vivências que só vocês tiveram e ninguém vos pode tirar, as aprendizagens que fizeram, as pessoas que conheceram e vos marcaram. Mesmo quando não corre como esperávamos, às vezes melhor, outras vezes pior. É a nossa experiência. E tem muito valor.

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