Off the Beaten Path – Youth Exchange em Kostanjevica na Krki

De 13 a 21 de Julho teve lugar na aldeia de Kostanjevica na Krki, na Eslovénia, um programa de intercâmbio de jovens de nacionalidades diferentes, com o objectivo de reflectir sobre o turismo local promovido pela Terra Vera Association for Sustainable Development. Este intercâmbio, denominado Off the beaten path, financiado pelo Programa Erasmus +, contou com a presença de jovens eslovenos, italianos (todos provenientes da ilha de Sardenha), portugueses e turcos. Durante oito dias, as quatro nacionalidades misturaram-se, promovendo a troca de costumes e tradições, e partilhando medos, expectativas e contributos.

As actividades desenvolvidas procuraram ir ao encontro do tema principal, através de caminhadas por percursos históricos e culturais, reflexões sobre a influência que outras culturas provocaram na nossa, desconstrução de mitos sobre o purismo das nossas tradições e costumes, estórias, contos e lendas típicas, experiências partilhadas sobre os desafios de um turismo local sustentável e rentável e da discussão de estratégias de marketing como forma de divulgação dos nossos produtos, serviços e missões, entre outras. É possível visitar os álbuns com registo fotográfico aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Além disso, fomos também entrevistados pela televisão nacional eslovena, sendo possível consultar as reportagens aqui e aqui. Foram, sem qualquer dúvida, oito dias muito intensos repletos de aprendizagens e desafios.

Apesar das claras dificuldades de comunicação, devidas ao facto de o grupo não ser homogéneo em termos da sua expressão em língua inglesa, e da incapacidade em dizer «não» e gerir prioridades, faço um balanço muito positivo desta experiência. A verdade é que tenho a agradecer por ter passado por ela, por me ter feito dar voltas às tripas e subir a mostarda ao nariz, por me ter dado dores de cabeça e vontade de gritar, partir tudo e ir embora, porque, no final, tudo isto me está a ajudar a crescer. Já cinco dias passaram desde que este programa de youth exchange terminou, mas ainda estão muitas coisas por digerir, que só vão ser absorvidas com o tempo.

De entre as reflexões que fiz para mim mesma, destaco:

  • Não interessa o quão «bonzinhos» somos, se quando precisam de nós não estamos lá para participar da acção;
  • Tal como nos alertam nos aviões, há que, primeiro que tudo, assegurar que as nossas necessidades estão satisfeitas, pois só a partir dessa base é que temos condições para “socorrer” os outros e as suas respectivas necessidades;
  • A capacidade de liderança requer muita confiança e segurança naquilo que estamos a fazer, o que se repercute nas decisões que tomamos – mesmo quando as nossas escolhas não dão origem a bons resultados (ou aos resultados que estávamos à espera), há que aprender com o passado, assumir a responsabilidade e fazer os possíveis para reduzir os estragos causados;
  • Ser líder não é fácil, e trabalhar sobre pressão muito menos. Por isso mesmo, é importante reduzir os factores de stress. Sendo impossível ter “tudo controlado”, pelo menos há que respeitar o trabalho que se tem feito, e se tem resultado positivamente, então não há mal nenhum em continuar a reproduzi-lo;
  • Quem não arrisca, não petisca, mas se o risco não corre bem, não é sensato continuar a bater na mesma tecla;
  • Toda a gente comete erros, errar é humano. Aprender com os erros também. Ter humildade suficiente para os reconhecer, assumir, discutir e explorar no sentido de aprender e melhorar é algo não só útil, como imprescindível;
  • Delegar funções e partilhar os planos e ideias com uma equipa de confiança é bastante útil para não sobrecarregar nenhuma das pessoas envolvidas. Ao mesmo tempo que cada elemento tem espaço e tempo para «respirar», promove-se também o envolvimento e o trabalho em equipa;
  • Uma comunicação clara e inequívoca é a chave para reduzir em muito eventuais problemas. Se cada um souber com o que pode contar, mais facilmente assumirá a responsabilidade para com os outros;
  • Lá porque às vezes, algumas atitudes nos decepcionam e desiludem, não significa que deixamos de gostar da pessoa em questão, mas sem dúvida que há que aprender a moderar expectativas em relação ao futuro;
  • Em nada pedir ajuda é um sinal de fraqueza, e poder contar com o suporte de terceiros para remar no mesmo sentido, é crucial para manter o barco à tona;
  • Como em tudo, o reforço positivo é extremamente importante. Com o desgaste de tomar decisões em cima do joelho sobre imprevistos, poder contar com o suporte da sua equipa e saber dá-lo reciprocamente ajuda a reforçar os laços entre os diversos elementos, mantendo cada um deles confiante no desempenho do seu papel, ao mesmo tempo que também ajuda a encontrar diferentes perspectivas e ideias alternativas aos obstáculos que surgem;
  • Programas como este são extremamente úteis para promover a interculturalidade através da interacção de jovens de diferentes países e culturas, reforçando a importância do respeito pela diferença e proporcionando o desenvolvimento de capacidade de resiliência, comunicação e solução de problemas, e, claro, a cidadania activa, não só nacional, mas neste caso também europeia.

Os meus comentários parecem bastante agressivos e pessimistas, e talvez o estejam mesmo a ser, pois são o reflexo do que sinto neste momento. O facto de me envolver bastante e colocar todo o meu esforço naquilo que faço torna-me mais exigente comigo própria e, por arrasto, com os outros, algumas vezes de forma injusta. Além disso, as condições em que me encontro neste momento são ainda mais desafiantes, na medida em que estou totalmente exposta num país que não é o meu, com uma língua diferente, com cultura de comportamento diferente. Tal como aconteceu no dia do workshop culinário sobre refeições tipicamente sardenhas e portuguesas, continuo a ter, em diversos momentos, dificuldade em gerir e moderar as minhas expectativas. Quero acreditar que o facto de estar ciente destas sensações e processos internos será um primeiro passo para a mudança, mas tenho também consciência de que me espera um longo caminho de montanha russa. O Serviço Voluntário Europeu só está a contribuir para tornar isso mais evidente. Espero não ofender ninguém com este post, que é apenas um desabafo pessoal.

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2 thoughts on “Off the Beaten Path – Youth Exchange em Kostanjevica na Krki

  1. Um estudo indica que o segredo das pessoas mais felizes do mundo são as baixas expetativas.. Serve para refletir.

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